domingo, 30 de dezembro de 2007

Obama Girl in a Obama World

Saiu a lista de melhores vídeos do Youtube em 2007 e o destaque vai para uma garota que já se tornou celebridade nas prévias das próximas eleições norte-americanas: Obama Girl. Há vários vídeos da moça no Youtube, todos fazendo declarações de amor e apoio ao pré-candidato democrata. Esse é um novo espaço eleitoral na Internet, uma nova ferramenta que, se bem explorada, pode render preciosos votos principalmente entre os eleitores mais jovens. Já há respostas aos clipes de Obama Girl, o melhor deles feito por uma Giuliani Girl, mas a original tem sempre mais valor. Para quem não viu, segue abaixo o vídeo.



Política americana não é minha especialidade. No ano que vem, prometo indicar bons blogs para quem quiser acompanhar a corrida eleitoral, mas não custa nada deixar aqui registrada uma breve opinião. Creio que a senhora Clinton continua sendo a aposta democrata, tanto contra Giuliani quanto contra McCain, mas vejo Obama crescer num momento que parece decisivo, às vésperas das primeiras prévias democratas. Isso tem várias razões, é fato, mas observo no pré-candidato uma característica que me chama a atenção. Enquanto Hillary e Giuliani, principalmente, estão muito presos à agenda da segurança e parecem fazer uma campanha com os olhos para trás, Obama acena com nova pauta e novas abordagens. Ele é o candidato do "move on" e tem superado com inteligência alguns nichos de resistência a seu nome e se fortalece com o avanço do debate. Se antes a ex-primeira-dama aparecia como favorita, a disputa parece agora mais equilibrada e o resultado das primeiras prévias podem ser determinantes para o restante dos estados. A formação das chapas devem decidir o processo democrata. Particularmente, porém, eu ainda acredito na força dos republicanos. Não há nada decidido.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Pirro, um democrata


O esforço tolerável nas guerras depende do objetivo político de quem as trava. É por isso que autores como Clausewitz defendem que as guerras de defesa são aquelas em que o Estado está disposto a pagar os maiores preços. Nesses casos, o que está em jogo é a sobrevivência do próprio Estado.

Falo isso porque me chamou muito a atenção nos discursos de Chávez e no material produzido por veículos oficiais e/ou chavistas a classificação do resultado de domingo como "vitória de Pirro". O triunfo do "não" no referendo da reforma constitucional não é, de forma alguma, pírrica. Ao contrário, a estreita margem no resultado final valeu cada manifestante, cada faixa, cada discurso e cada confronto necessários para que ela viesse.

Arrisco-me a dizer que, na defesa da democracia, não há vitórias de Pirro. Os movimentos de resistência às ditaduras militares latinoamericanas mostram que cada pequena vitória, ainda que às custas dos que tombaram, alimentam vozes antes caladas pela coerção violenta e pela supressão dos canais de expressão. Ao contrário de Pirro contra os romanos, cada pequena vitória fortalece os combatentes. Como em Clausewitz, o que está em jogo custa muito caro. Vale o preço.