quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Estado e o estado da nação

Na madrugada de ontem para hoje, enquanto por aqui a multidão se despedia de mais uma folia de Momo, nos EUA o presidente Barak Obama fazia seu primeiro discurso do estado Nação. Essa é uma tradição norte-americana que abre o ano legislativo com a ida do presidente ao Congresso para declarar aos americanos quais são os principais desafios que o país enfrenta e como o Executivo pretende lidar com ele. É uma cerimônia marcada por longos aplausos de pé, tapinhas nas costas e, é claro, indicações bastante claras das ideias do presidente e suas intenções.



Como mostra o primeiro mês de governo Obama, a economia é o tema do momento e tomou quase todo o discurso do presidente. Houve espaço para o meio ambiente, para questões domésticas ligadas a educação e saúde, e para questões internacionais como terrorismo, Iraque e Afeganistão. Porém, foram as promessas de tirar os Estados Unidos da crise atual que mais trouxeram aplausos. E o discurso, que mesclou arroubos protopopulistas como "a ação do Estado não servirá para que CEOs possam continuar abastecendo seus jatinhos" e pouca preocupação com o gigantesco deficit norte-americano, deixou claro mais uma vez que o protecionismo comercial não incomoda Obama. Embora ele declare o contrário, suas propostas revelam uma tendência ver como positivas medidas que, no âmbito da OMC, seriam no mínimo contestáveis.

Barak Obama prometeu investir pesado em novas tecnologias de geração de energia limpa e destacou a importância dos biocombustíveis para isso. Mas deixou claro que os veículos flex que devem surgir dessa iniciativa têm de ser produzidos nos Estados Unidos. Assumiu o compromisso de tornar o Estado um promotor da retomada econômica, mas disse que ela se dará com aço e mão-de-obra norte-americana. Mais adiante, voltou a essa ideia com a afirmação de que "o país que inventou o automóvel (sic) não pode deixar de produzí-lo". Depois, ao abrir o pacote de benesses fiscais que devem ser aplicadas nos próximos meses, lembrou que não receberão ajuda do governo empresas que transferirem empregos de norte-americanos para outras regiões do mundo.

O discurso segue a linha que em geral se costuma atribuir ao democratas, mais ligados aos sindicatos, sobretudo os das indústrias automotivas. O problema é o efeito desse tipo de comportamento sobre a crise que é mundial. Obama disse ontem que a América precisa voltar a liderar. Mas, seguindo essa linha, uma liderança positiva para a economia do mundo não deve acontecer nos primeiros anos deste novo governo e, se os norte-americanos começarem a ser imitados mundo afora, como ele sugere, o resultado será mais protecionismo, menos comércio e, em consequência, uma crise mais longa e profunda.

2 comentários:

Nídia Murta disse...

O estado da Nação???
Não há o q se preocupar ... afinal... esses dias o nosso 'querido e companheiro' presidente Lula (se achando o rei da cocada) foi aos EUA aconselhar o presidente Obama frente ao problema da crise neoliberal!!! É isso mesmo!!! Obama ja entrou no fã clube do estadista como um disípulo!!(heheh) E com direito a 'dever de casa'("Se em um ano ele não resolver, vão debitar o problema na conta dele. Obama acaba de ser eleito e tem força política para resolver a crise."[Lula])... Brincadeiras a parte... É dose???? rsrsrs

Adriano disse...

Olá Rodrigo,

concordo com Obama em primeiro colocar a casa em ordem. Afinal, antes de resolver o problema mundial é preciso resolver a causa da grande crise que deu ínicio dentro dos EUA, nos setores imobiliário, de crédito e as fraudes na bolsa de valores. Aliás, muitas dessas fraudes envolvem corruptos, aproveitadores, para não mencionar imigrantes ilegais que inflaram o mercado imobiiário americano superfaturando a venda de casas com uma inflação inexistente nos EUA. É claro que uns pagam pelos erros de outros, pois, nem todos imigrantes estão envolvidos em falcatruas, mas até os terroristas se aproveitaram da grande abertura migratória existente antes de 11 de Setembro nos EUA. Hoje a situação é um pouco diferente para aqueles que querem buscar no EUA uma vida melhor. Por enquanto, teremos que esperar e ver o desfecho dos próximos eventos.

Abraços